"I had a dream, when I was young, A dream of sweet illusion, A glimpse of hope and unity And visions of one sweet union
But a cold wind blows And a dark rain falls And in my heart it shows, Look what they've done to my dream..." Queen - One Vision
Acabamos nisto, pequenas pegadas pisadas ao de leve em areias que o tempo não terá compaixão em remexer... Não, não vou fazer nada contra qualquer coisa que esteja errada neste mundo...
"Give me your hands, Give me your hearts, I'm ready! There's only one direction! One world and one mission! Yeah, one vision!"
Queen - One Vision fffMas vou, certamente, crescer, e talvez, um dia, eventualmente, tornar-me alguém respeitado.. E talvez consiga fazer com que outros vejam o que vejo. E talvez então consiga fazer alguém entender que o meu objectivo nunca foi abanar o mundo, ser do contra, mas sim lutar para chegar a um destino onde não houvesse ... um inconformado...
Agora para lançar as cartas na mesa, para gizar o plano, para colocar as peças no tabuleiro, e manter este sentimento, esta réstia de chama dentro de mim, que me aquece quando estou sozinho, que me dá alento, que me diz "Estamos a caminhar para lá. Estamos, lentamente, a caminhar para lá.". Para que me levante e dê os passos que me guiam nos meus dias. Nos meus anos. Na minha vida.
Quanto a vocês, espero encontrar-vos a todos lá quando o dia chegar, e tivermos de contar uns com os outros para mostrar aos nossos precedentes que é possível. (Hah... aparte.. Obama.. é possível... yes we can.. lol ) Para que possamos então também mostrar aos nossos filhos que é possível. Que não nos deixaremos apagar como pegadas à beira mar, como areia ao vento, como uma pedra no tempo. Não, não somos uma mera pedra. Não estamos confinados ao vento. O que nos define e a capacidade de usar o vento que nos leva para chegarmos onde queremos ir, e não de nos deixarmos apagar por ele. E não permanecer nas nossas vidas fúteis e inócuas, vazias e estéreis onde se deve deixar as coisas estarem como estão porque nada se pode, e porque é assim que somos.
Sim, eu não sou perfeito. Sou preguiçoso, sou mau, sou até perverso. Sou comodista, egoísta, mimado e teimoso. Pensava que éramos todos. Ainda penso. Mas apesar disso, nunca direi que é a minha natureza ser assim. Nunca aceitarei a minha natureza como má.
A minha natureza é ser bom. É trabalhar para fazer a vida. É ganhar o suficiente para poder ceder aos meus desejos mimados. É ter a possibilidade de ser comodista, e escolher não o ser. É poder de vez em quando ser egoísta e dedicar-me a mim. É ser bom. A minha natureza é amar. Amar à minha família, pelo sofrimento que passaram para eu ter a vida que tenho, e pelo sofrimento que passarei para lhes proporcionar uma vida melhor. Amar a minha cara-metade, bem.. simplesmente porque consegue, melhor que qualquer outra pessoa ou qualquer outra coisa, arrancar-me o parágrafo anterior e ficar só com este (coisa maravilhosa, de facto) . Amar a todos, cada um à sua maneira, por passarem dias nesta terra opressiva e fria, onde as pessoas se olham de lado, em vez de se falarem. Em vez de partilharem.
A minha natureza é dar. É dar ao mundo (não o opressivo e frio) o que o mundo me deu a mim, e mais. É dar ajuda a quem precisa. É dar conforto a quem sofre. É dar-me, a mim próprio, como ferramenta do bem no mundo, na construção de outras ferramentas de bem no mundo.
A minha natureza é criar. É fazer o que faço melhor. É ser quem sou. É dizer o que sinto, e sentir o que digo. É vibrar com o vento. É adorar a textura da mesma parede que me viu crescer durante anos, e nunca me fartar dela. É olhar para o céu, e sentir-me em casa em qualquer lado. É fechar os olhos e descansar, sem medo. É lutar para fazer parte de nós e fascinar-me pelos nossos feitos. É distanciar-me dos vossos horrores.
Mais que tudo, a minha natureza é, aparentemente, entrar em devaneios de comprimentos absurdos sobre coisas que me disseram para não fazer.
Está escrito lá em cima. Não digam que não foram avisados. Deixei a modéstia em casa. Tenho que dizer quem penso que sou. I must leave my tiny, withering mark.
Não sei que dizer... Acho que a imagem diz tudo. Uma porta que sobreviveu o teste do tempo... Às vezes posso pegar numa coisa por tantos lados, que já não sei por onde ir...
Pois.. É assim que me sinto às vezes.. Que tenho estes pedaços todos que fui guardando.. E agora de vez em quando ocorrem-me coisas que não sei donde vieram.. ou porque lá estão.. Como aquela noite em que estava no carro com as pessoas de que mais gosto, e estupidamente comecei a implicar com outro carro que, cedo, respondeu na mesma moeda, fazendo-me apanhar um susto.. Coisas que me deixam a pensar se eu devia estar atrás de um volante, ou se os meus amigos deviam estar no carro comigo..
Ou o dia em que saltei do telhado para a piscina, ao contrário da vontade do meu irmão, que depois se foi queixar. E o que fiz a seguir, já que vai acontecer, fi-lo mais 7 vezes.. Já que provavelmente não ia fazê-lo mais na vida.. Fiquei com um ponto sensível no calcanhar devido a esse dia. Sim, porque bater com o pé no fundo da piscina não é a melhor solução. Mas tinha de o fazer. Mas porquê?
Ou as viagens de autocarro de hora e meia, duas horas, ao som dos Metallica, sentindo-me como uma pessoa completamente diferente.. tenho sentimentos mistos acerca desses dias.. Dias alegres que me deixavam cheio de dor..
Ou a outra viagem de autocarro, em que parecia que tinha o corpo completamente destruído, mas a minha alma inquebrável.
E ultimamente, os quatro anos de viagens de uma hora para e de volta da universidade, com os pequenos pedaços do que inicialmente parecia um caminho tão curto, torna-se agora um misto de pequenos esforços mentais para memorizar todos os pequenos pedaços daquele caminho tão viajado, que me faz sentir cada vez mais longe do meu objectivo...
Ou as viagens de elevador.. de um andar, para as aulas de piano, de dois, num elevador em mau estado, para o médico de família, de três, para a casa dos tios, menos vezes.. Tenho saudades da cadelinha que eles tinham..
E já agora, daquela campainha da casa da minha tia.. E como os meus pais nunca quiseram ter uma campainha assim nesta casa... São escolhas, é certo, mas adoro aquela campainha..
E, pior que tudo, a maneira como tudo isto se liga. Como pensar na cadelinha dos meus tios me fez lembrar do pequeno escritório deles (um de cada, a cerca de 20 metros de distância), que me faz lembrar daquela zona, que me desperta o caminho dali até ao parque das nações, que me faz lembrar de jantar lá, (sim, para mim, é raro, que sempre que janto lá é porque vim do Algarve e ainda vou voltar nesse dia), de andar cerca de 4 km a pé porque não sei onde é o parque do Super Bock Super Rock, onde fui ver os Metallica pela segunda vez, onde a primeira foi no Rock in Rio, e como alguém sacrificou tanto para vir comigo, e nas condições lastimáveis em que voltámos.. E no bom tempo que lá passámos... que me lembra dos bons tempos depois, e antes, de todos os bons tempos..
Ah.. todas as memórias tendem para a mesma imagem.. Encostar a minha cabeça na almofada, e abrir lentamente os olhos, e o nariz, e sentir-me em casa.. Finalmente.. Como não me sinto em mais nenhuma altura.. em mais nenhum sítio.. A imagem que une estas partes de um todo.. estas partes de mim..
Quando era novo ouvi uma história. Ficou comigo para sempre. Venho aqui lembrar quem também a conheça, ou contá-la a quem não a conheça.
Conta a lenda que um chefe mouro da região de Al-Gharb, rude e corajoso, se apaixonou por Gilda, filha de um grande senhor do Norte, morto em combate. Fizeram-se os preparativos para o casamento: engalaram-se colunas, salões e palácios; engrinaldaram-se casas, ruas e praças. Vieram mongóis, chineses, rajás da Índia, príncipes da Etiópia, germanos e normandos do Norte... E chegaram presentes. Jóias, moedas, perfumes, ouro e prata, fabulosos presentes de todos os cantos da Terra. E houve música, canto e dança, nos salões e nos palácios, nas ruas e nas praças. Comeu-se e bebeu-se. A festa continuou por muitos dias. Só Gilda, tristemente, não partilhava da mesma alegria. Enquanto a dança e o canto continuavam, a bela princesa refugiou-se no seu quarto e recostou-se nos seus coxins (almofadas) de ouro e brocado que se confundiam com os seus louros cabelos. A tristeza da princesa prolongou-se por longos dias, por longos meses. Sofria a princesa, sofria o jovem mouro por ver sofrer a sua princesa e sofria o povo por ver sofrer o seu senhor e a sua princesa. Chamaram o físico (médico) do palácio, os físicos do reino, os físicos de todo o mundo. Ninguém compreendia aquela dor. Ninguém se atrevia a tentar uma cura, pois se falhassem, seria uma condenação à morte. Mas um dia...apareceu um velho do Norte. O mouro já sem esperanças, recebeu-o. Logo quis saber quem era e donde vinha. - Sou o aio de Gilda, o seu velho e grande amigo que a vai salvar! O Senhor de Al-Gharb, incrédulo, deixou-o entrar nos aposentos de Gilda. Passaram-se horas... Depois o velho quis falar com o Árabe. - Senhor, Gilda sofre de saudade. A saudade é o mal que destrói o corpo e a alma! Gilda tem saudade da brancura dos campos cobertos de neve do seu país. O grande medo de perder a sua amada deu ao chefe mouro a ideia de mandar plantar milhares de amendoeiras que, ao florirem, nos seus bilhões de minúsculas e alvas flores, cobriam montes e vales, parecendo enormes extensões brancas de neve. Um dia o palácio acordou com um belo manto de "neve" à sua volta! Gilda exausta, já nem abria os seus lindos olhos cor de turquesa. O mouro levantou-a e aproximou-a da janela. Os olhos azulados da princesa abriram-se a custo, mas foi sem custo que murmurou: - A minha neve! A minha neve! E conta a lenda que Gilda se curou e todos os invernos o Algarve se cobre de florinhas brancas devido à saudade de uma princesa nórdica, de cabelos de sol e olhos de mar, e à paixão de um mouro rude e corajoso, encantado por uma loira princesa do Norte.
E às vezes sonho. E de vez em quando consigo sonhar.. Que sou livre, que saí do meu invólucro e abraço tudo à minha volta.. Que me fundo com o universo.. Que sei tudo, que sou tudo, que posso tudo..
Vejo melodias, toco visões, saboreio pequenos pedaços de universo.. E acordo.. E sinto-me bem. Quase como se fosse apenas uma questão de tempo até o meu sonho se tornar realidade..
Sinto que estou ao alcance de tudo.. Mas às vezes o tempo parece enganar-me.. Mas não por muito tempo.. não por muito tempo..
Já viram aquele videoclip (de há séculos) dos chemical brothers que é basicamente uma viagem de comboio?
Pois eu procuro, quando guio, padrões entre a música e a estrada. Quer seja a frequência dos piscas, os traços no chão, os postes de luz, os carros que passam ou que passo, os (infelizmente) saltos... Até mesmo as rotações do motor tento atingir igualdade com o tom da música.
Que borrão que isto se torna à minha frente...que ruído que soa nos meus ouvidos... que desperdício de tempo que se torna, quando não vos consigo usar para o vosso propósito.. Quando não consigo comunicar os meus sentimentos, quando vocês simplesmente chacinam todo o significado que trago em eufemismos limitados pela cultura. Quando reduzem as labaredas enormes dentro de mim a uma cinza ainda quente da fogueira de ontem...
Que desperdício. Que vontade de apenas gritar sons sem significado que me permitam ao menos libertar a alma deste peso. desta vontade.
Ó palavras, porque é que dizê-las vezes sem conta não aumenta o vosso significado, mas em vez disso o reduz, a nada, ao que vocês são... um borrão, um ruído... música de fundo da humanidade.
Quantos caminhos há a partir daqui? O que há quando lá chegar? Sempre que olho à volta parece que podia seguir para todo o lado. Perco-me nas opções e não me encontro na escolha que faço. Sinto que nunca me encontro na escolha que faço.
"Are we there yet?"
Para aligeirar o ambiente, a filosofia existencialista alterou as suas questões essenciais (WARNING: piada de informático). São agora:
- Quem somos? - Donde viemos? - Para onde vamos? - Há lá internet?
Deu-se ela ao trabalho de marcar cada ano com um anel no seu interior... para servir de estaca. Que terrível desperdício de vida existe neste universo.
Mas no universo, nada se perde, tudo se transforma... Será isso uma coisa boa?..
É quase hipnótico. Peço também desculpa pela fraca qualidade. Isto telemóveis focagem automática a pequenas distâncias é nada... O chão está perfeitamente detalhado. mas pronto... you win some, you lose some.
Espero que estejam a ter dois dias melhores que os meus.
Tu que vais e vens quando te dá mais jeito. Que cais quando as coisas se tornam muito difíceis para te aguentares. Tu que segues as tendências, e que te deitas no chão e permites que te pisem sem te queixares.
Tu que varias constantemente. Tu que és espectacular durante toda a tua vida. Tu que estalas por debaixo dos nossos pés, alegrando os nossos dias. Tu que, quando te vais, deixas o nosso mundo tão nú.
E também gosto do lado industrial da sociedade actual. A maneira como as máquinas introduziram novos padrões na nossa vida. Não consigo evitar. Gosto de padrões. Aparentemente, ao invés de me aborrecerem por serem sempre os mesmos, fascinam-me por acontecerem num universo onde tudo é aleatório.